sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

New Year's Day


2010 chegou e uma nova década se inicia. Muita coisa está para acontecer nesse ano (ainda) novo, completarei duas décadas de vida, minha mãe seis, e terminarei a faculdade - e consequentemente me verei mais perdido do que o habitual.
Diariamente me sinto injustiçado pelo tempo que corre incessantemente e faz com que tudo vá acontecendo apressadamente que quando tento olhar já passou. Desde de o meu tempo de vida que minha memória é capaz de lembrar, me vejo como uma pessoa contemplativa, observadora, sentindo poesia e achando graça em tudo. Óbvio que essa é uma definição minha, meus colegas dos primeiros anos de escola com certeza me definiriam como distraído, ou mesmo lesado.
E agora enquanto tudo corre, me entristeço por não poder olhar para algo durante um tempo lento. Ainda nesses primeiros anos escolares, assisti o filme O Menino Maluquinho. A adaptação da obra do Ziraldo focava muito na questão do tempo para a criança, que era diferente. Uma criança tinha tempo para fazer tudo, um dia era enorme e era exatamente assim que me sentia na infância e é exatamente disso que mais sinto falta hoje em dia.
É, o tempo cobra um preço caro e infelizmente não nos dá opções.


Por: Mário Brandes

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Formação na era da informação


Nos últimos anos dessa década que se finda vários acontecimentos decorrentes da popularização da internet sofreram um boom e tomaram proporções incríveis. Entre estes acontecimentos está a expansão de universidades de ensino à distância no Brasil.
Oferecendo preços acessíveis (pelo menos em relação às universidades presenciais) e tempo flexível, estas instituições têm adquirido cada vez mais adeptos.
Não sou contra o ensino à distância, até acho interessante, pois a falta de um auxílio tão direto pode ser uma ajuda para o estudante que se verá forçado a adquirir certa independência em relação à pesquisa, alicerce da formação do espírito acadêmico. Entretanto, eu estava assistindo televisão e vi a propaganda da UNIBAN - sim, aquela universidade que ficou famosa pela estudante Geisy Arruda que exibia seu currículo acadêmico pela (falta de) roupa - onde dava-se a um certificado de graduação a partir da conclusão do primeiro ano e em três anos o curso seria concluído.
Fala-se muito que vivemos a era de velocidade, há pressa para tudo, mas acredito que tamanha pressa nos prenda a uma grande mentira, neste caso, o acadêmico vítima da mentira de que sairá formado - digo, formado, não apenas portador de diploma.
Seguindo esta linha evolutiva, em poucos anos, você poderá cadastrar-se através da internet, pagar uma determinada taxa, imprimir seu diploma e exercer a profissão escolhida, tudo no mesmo dia.


Por: Mário Brandes

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Papai Noel Velho Batuta II

Complementando o post abaixo, letra da música Papai Noel Velho Batuta (clique no link para ver o vídeo da música) do Garotos Podres.


Papai Noel Velho Batuta

Papai Noel velho batuta, rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo, aquele porco capitalista
Presenteia os ricos, cospe nos pobres
Presenteia os ricos, cospe nos pobres
Mas nós vamos sequestrá-lo e vamos matá-lo
Porque aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal


Por: Mário Brandes

Papai Noel velho batuta!


Voltamos. Efemêro & Irônico strikes back again. Devido à sobrecarga de trabalhos, estágios e afins na faculdade tanto para mim, quanto pra Daíse, o blog ficou um tempinho abandonado, havendo apenas três posts em novembro e tendo o primeiro de dezembro agora já no final de 2009.
O natal está próximo, hesitei em escrever sobre ele por ser um dos maiores clichês dessa época do ano (juro que tentarei evitar ao máximo os lugares comuns do tipo tempo de renovação, época de reflexão e etc...), mas no final das contas a vida é feita de clichês mesmo, e sendo eles enjoativos ou não, isso é a mais pura verdade.
Este post não entra no mérito religioso da questão natalina, mas sim na figura política e de controle de massas que é o Papai Noel.
O bom velhinho é a personificação - com feições simpáticas e agradáveis - do capitalismo (selvagem) americano. O consumismo que impera nos últimos dias de dezembro é tamanho que faz com que pessoas de todas as religiões (inclusive as pagãs) preocupem-se em ter economias suficientes para presentear e serem presenteados no dia em que seria comemorado o nascimento de Jesus Cristo e faz também com que as pessoas enfeitem suas casas com uma decoração típica de inverno em pleno verão de um país tropical!
Esta cultura é repassada às crianças, tendo sempre o aviso "se você for um bom menino, ganhará presente do Papai Noel". E como ficam as pessoas sem condições de comprar algo? O menino não vai querer ser bom, ou, no mínimo, se decepcionará muito se o for. Fora o estímulo à recompensa, que faz com que as crianças acreditem que tenham de ser boas para ganhar algo e não verem o fato de ser bom como um fim em si mesmo.
Para todos que leem o Efêmero e Irônico: um feliz dia de natal, sendo ele rico em presentes ou não.

Por: Mário Brandes

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Precisa-se de meninas seguras


Garotada passeando no fim da tarde, namorados curtindo o pôr-do-sol, mamães e filhinhos na pracinha, e o começo de uma noite leve chegando. A praça ficava tão bonita ao entardecer, parece que o sol beijava a copa das árvores e dava sua última espiadela no dia.
Presenciar tanta beleza e depois olhar para mim, só fazia sentir por fora de tudo aquilo. Achava tudo muito bonito, mas faltava algo para que ficasse a vontade. Depois descobri que o problema era comigo mesmo. Anti-social, incomunicável e chateada por ver tantas meninas exibindo seus shorts, suas pernas, seus óculos escuros. As minhas lentes cheias de círculos concêntricos faziam ver claramente a minha diferença. Para disfarçar meu peso (na época), usava roupas números maiores, por isso em meus shorts cabiam mais um par de pernas, em minha camiseta mais uma de mim.
E hoje o que temos? Elas. As novas garotas são ousadas e cheias de opiniões próprias, as iniciantes adolescentes saíram por aí desbravando tudo que viam pela frente, obtendo sucesso. O mundo é o limite para elas, quanto mais pessoas se conhecer virtual ou pessoalmente, melhor. Os interesses mudaram como tudo que a gente vê.
Dúvida não é uma palavra que as adolescentes de hoje conheçam, elas entendem é de certezas. É o diferencial das gerações. As jovens de agora andam em bandos, para auto-afirmação talvez. E suas certezas acabam em um momento em especial, quando são questionadas sobre si mesmas.
Uma prima veio visitar a gente no verão uma vez, aquele verão mudou tudo. Mudou o estilo de roupas, melhorou o comportamento, surgiram as lentes de contato. A segurança em si mesma é a única coisa que não se pode ensinar. É preciso se encontar, primeiramente, antes de querer compreender os desiguais.
Ser popular, reconhecida faz parte do estilo convencional. A popularidade foi o desejo da universitária Geisy Arruda, que está fazendo render os quinze minutos de fama em um mês com participações na TV. Ela é uma dessas atrevidas e ousadas, como eu nunca fui. Embora a certeza sobre sua personalidade e sobre seu futuro seja tão intensa quanto o tamanho de seu vestido. Da mesma forma com que a coragem para a exposição de sua figura, seja tão acentuada quanto a falta de democracia em conjunto, dos colegas dela de faculdade. Vejo nela a segurança que não encontrava em mim, admiro por isso. Nessa tarde as minhas lentes quebraram e os círculos concêntricos voltaram a me fazer enxergar melhor.

Por: Daíse Carvalho

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Leitura e fazer textual


A nova tendência da literatura é a brevidade nos textos. Hoje é preciso prender a atenção do leitor em poucas linhas. O sucesso da novidade se deve a instantaneidade que veio da internet para os livros. Microcontos é como são chamados os breves textos em que o objetivo do autor é sangrar em mínimas linhas.

Esse gênero, que de acordo com a teoria literária não é reconhecido como tal, é um bebê. Surgiu em 2004. Pode ser chamado de miniconto, nanoconto ou como eu preferi microconto. O objetivo é totalidade, não há espaço nem tempo para detalhes. Talvez não seja considerado literário ainda, por passar apenas a síntese da idéia, enquanto a tarefa de entender a narrativa e por que não dizer imaginar a história, ficam por conta do leitor.

Ousado método em que 150 caracteres, muitas vezes podem ser até menos, assumem o papel de contar um história. Precisam ser breves para que dê tempo dos leitores desfrutarem. Desafio desesperador para os autores experientes e escritores amadores como eu. E aos que gostam de história com detalhes, por exemplo, ficam só na imaginação. Vire-se. É a impressão que o conto dá, como se te contasse uma notícia pela metade.

E essa diversidade de leituras que nos abraça com braços e pernas, oferece tantos meios para repassar ideias, que faz entender a dificuldade do papel de quem estimula o interesse dos recptores de seus pensamentos. Enquanto uns buscam originalidade ou inclusive a interatividade com os leitores. Há quem acredite que a melhor saída é ser simples, afinal com humildade também se conquista.

Quanto aos microcontos, ou a tendência perdurará ou conseguirei.


Por: Daíse Carvalho

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A mesma moeda tem o mesmo valor?

O desespero em relação à violência que cada vez mais toma conta do país faz com que, a cada instante, surjam "super-heróis" que usam o discurso da violência contra a violência.
É muito comum que a população se impressione com discursos mamãe-quero-ser-fascista de Datenas, Ratinhos e demais wannabe's da vida que prometem "acabar com a violência na porrada" ou "matar todos os assassinos". É de se concordar que muitas vezes a situação é revoltante, entretanto, pagar na mesma moeda - embora às vezes pareça - quase nunca é a alternativa correta.
Na medida em que se promete "matar todos os assassinos", os conceitos se dispersam e já não se torna claro quem é o verdadeiro criminoso e a quem se deve temer.
Os direitos humanos existem para serem respeitados e todo mundo é inocente até que se prove o contrário, infelizmente muitas vezes a justiça acaba beneficiando o criminoso, mas essa é uma questão delicada. Como julgar alguém? É uma vida humana que está em jogo.
Estas "soluções" desesperadamente práticas e assassinas não resolvem nada, se há uma solução efetiva, esta tem de ser coerente com o discurso. Ou vocês imaginam um padre dizendo: "Olha irmãos, ou vocês se amam como Cristo os amou ou quebro a fuça de vocês!"?
Tudo resume-se na frase de Gandhi: "Olho por olho e o mundo acabará cego".


Por: Mário Brandes