domingo, 30 de agosto de 2009

E a Tchuby não é um ET!


Sempre me senti muito deslocado em várias situações cotidianas, por gostar de coisas diferentes ou pensar de maneira diferente do que a maioria das pessoas da minha idade.
Sou brasileiro apenas por uma questão geográfica, pois detesto carnaval, não acho muita graça em futebol e ODEIO o típico jeitinho brasileiro (leia irresponsável), somente esses pequenos aspectos já fazem com que eu fique um tanto perdido no meio da multidão.
Uma amiga minha, a Tchuby, (que presenteio com o título do post) disse que se sentia uma extraterrestre por gostar de coisas que a maioria das pessoas da idade dela não curtem. A própria Daíse escreveu um post sobre o seu descontentamento em relação à geração da qual ela pertence e de sua falta de identificação.
Com base nesses dados, vejo que não sou o único descontente e que de fato cada pessoa é única - embora muitos sejam muito parecidos - e embora se tenham características semelhantes, não se pode fazer tantas generalizações. Já dizia Millôr Fernandes: "Todas generalizações estão erradas, menos esta". No fim das contas sou um brasileiro afastado do esteriótipo e a Tchuby não é nenhum ET.

Por: Mário Brandes

sábado, 29 de agosto de 2009

Imperativo: Ouça!

Pensei em começar esse post dizendo que tinha iniciado uma nova seção no blog, mas seria mentira. A nova seção seria para downloads de discos, coisa que já fiz anteriormente. O que aconteceu foi batizar a seção, nomeá-la como "Imperativo".
Sempre tive esse lance de recomendação com coisas que gosto, de mostrar para outras pessoas coisas que eu gostava, sejam discos, livros, filmes, revistas, etc. Mas o jeito de mostrar era um pouco imperativo, quase uma ordem, não era algo do tipo "se quiser escutar isso...", e sim coisas do tipo "Ouça isto!". Existe o risco do disco, ou livro, ou qualquer outra coisa recomendada tornar-se essencial - quem sabe mudar a vida da pessoa? - mas para isso é necessário que a "vítima" experimente. Então, ouça:



2009 - Shaka Rock - Jet

Terceiro álbum da banda australiana que faz um hard rock divertido e grudento, capaz de grudar nos ouvidos em poucas audições. O clipe da música de trabalho She's a genius já rodava exaustivamente na MTV antes do lançamento do disco. O lançamento me causou grandes perspectivas e não fui decepcionado.


  1. K.I.A (Killed In Action)
  2. Beat on repeat
  3. She's a genius
  4. Black Hearts (On fire)
  5. Seventeen
  6. La di da
  7. Goodbye Hollywood
  8. Walk
  9. Time like this
  10. Let me out
  11. Start the show
  12. She holds a grudge
  13. Don't break me down
  14. Everything will be allright
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2009 - Hein? - Ana Cañas

A cena alternativa brasileira gradativamente está ganhando espaço, graças à popularidade da internet e sites de divulgação de trabalhos como o Trama e o MySpace. O artista hoje, se não é lançado na internet, pelo menos é popularizado por ela, tornando-se independente de meios de comunicação como a televisão, por exemplo. Em seu novo disco, Ana Cañas, mostra seu som moderno que mistura jazz, rock e música brasileira. A jovem e charmosa fã de Ella Fitzgerald, entre contrabaixos distorcidos, boas levadas de guitarra e participação de gente da estirpe de Arnaldo Antunes, no seu novo trabalho, mostra o que há de melhor em sua arte.

  1. Na multidão
  2. Coçando
  3. Na medida do impossível
  4. Esconderijo
  5. Sempre com você
  6. Chuck Berry fields forever
  7. Gira
  8. Problema tudo bem
  9. Aquário
  10. A menina e o cachorro
  11. Não quero mais
  12. O amor é mesmo estranho
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Por: Mário Brandes

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

As mães são todas iguais... E os filhos também

Meninos e meninas, todos os filhos são iguais. Dão os mesmos “pitis” para terem o que querem, eles dão as mesmas preocupações, recusam a comida do mesmo jeito, e sujam as fraldas e as roupas do mesmo jeito.
As mães aprendem com os filhos, sempre acreditei nisso. Apesar de a minha mãe nunca confessar, com medo de que ficássemos sem modéstia nenhuma. O que nuca me ocorreu, modestamente falando.
Outro dia a caminho, vi filho e mãe chegando em casa. Cheia de sacolas do mercado a mulher magra alta e forte, alcança a chave para um menino de mais ou menos uns cinco anos.
O menino era lindo, cabelo cacheadinho, magrinho também, mas uma magreza saudável, é claro. E deve ser desses bem “tinhosos”. Todo guri criança que é bonitinho é tinhoso e até os que não são tão bonitinhos.
_ Abra a porta para mim filho!
E lá se foi correndo o piá, atrapalhado caiu no chão e sujou o moletom do homem-aranha que vestia. É que eu notei só no moletom quando ele levantou pude ver o estado de terra qual se encontravam as calças jeans. E a mãe dele também viu.
Esperto o menino notou a olhada que a mãe deu em sua roupa. Antes que ela o repreendesse suplicou:
_ Desculpa Mãe. Desculpa Mãe. Desculpa, desculpa...
_ Ahh não Lorenzo, olha só isso, agora pede desculpas! O estado da roupa.
_ Mas Mãe, a senhora disse que quando fazemos coisas erradas deve-se pedir desculpas não é?
_ Sim, mas, devia ter pensado antes de sair correndo como um louco, não teria tropeçado, não teria caído e essa roupa não estaria imunda a essa hora.
Ela parou no meio do caminho com as sacolas aparentemente pesadas e ficou discutindo com a criança.
_ Eu lavo mãe. Tentando minimizar a tragédia do dia que fora culpado.
_ Não você não lava, quem tem que ir para a máquina sou eu. Pensei: quanta dificuldade colocar uma peça de roupa dentro da máquina. Parece que o guri ouviu meu pensamento e respondeu.
_Mas mãe, então se é só colocar na máquina...
_ LORENZO! Aí ela gritou, ele tinha respondido para ela, uma afronta com cinco anos de idade – que gênio! Eu observava.
Um dia me disseram que os Gabriéis, Rafaéis, Júniors, Vitors, Joãos e Pedros, (nomes que geralmente as mães criativas batizam seus filhos), que os meninos que tem esses nomes são teimosos, ativos, curiosos quando crianças. O conceito tinha caído ali mesmo por terra e literalmente, o nome do guri era Lorenzo. Ele tentou de novo.
_ Mãe me desculpa.
_ Desculpas?! Você deve ser mais calmo, não deve se sujar desse jeito, NINGUÉM se suja assim. E não diga que vai lavar suas roupas sou eu quem faz isso.
_Então não vou lavar mãe, não vou correr, nem vou me sujar, está bem?
_ Eu conheço você, amanhã é outra muda de roupa suja.
Eu duvidei da sanidade dela naquele momento, a discussão era patética já estava indo embora. E o guri falou.
_ Então nesse caso eu nunca mais peço desculpas para ninguém! A porta está aberta mãe.
Com a resposta dele eu segui meu caminho, não fiquei pra escutar as próximas palavras que aquela demolidora de sonhos iria proferir. Já tinha escutado um sábio naquele dia.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Procura-se rapaz latino-americano sem dinheiro no banco


No último domingo (23/08) o Fantástico exibiu uma matéria sobre o desaparecimento do cantor e compositor Belchior. Após a reportagem, o caso tomou grande repercussão e agora o Brasil e o mundo se pergunta onde está o cara que escreveu "Como nossos pais".
Auto-exílio, jogo de marketing, preparação secreta de um novo disco ou apenas um espairecer? São inúmeras as hipóteses levantadas sobre o motivo do sumiço e embora tenha sido visto no ano passado - ao participar de surpresa em um show do Tom Zé - não existe ainda nada concreto sobre o porquê do desaparecimento.
A mim, fã de Belchior, só resta lamentar que entre tanta gente que poderia muito bem desaparecer - o próprio Zeca Camargo, por exemplo, seria uma boa - tenha sido ele o sumido.
Segue abaixo o link para o download de Alucinação, um dos melhores discos de Belchior e, sem sombra de dúvida, uma das maiores obras da música brasileira.


1976 - Alucinação - Belchior













  1. Apenas um rapaz latino-americano
  2. Velha roupa colorida
  3. Como nossos pais
  4. Sujeito de sorte
  5. Como o diabo gosta
  6. Alucinação
  7. Não leve flores
  8. À palo seco
  9. Fotografia 3x4
  10. Antes do fim
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Por: Mário Brandes

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Jogo ou bochincho!



Na última terça-feira (25/08), o presidente do senado José Sarney teve derrubada a sua tese de que a casa se normalizaria após o arquivamento dos processos que pesam sobre suas costas.
A insatisfação geral da nação quanto a permanência de Sarney no senado é palpável, tão concreta quanto um bloco de pedra. Com a notícia de arquivamento dos processos contra o peemedebista, 5 integrantes do senado renunciaram como forma de protesto. Para o senador Almeida Lima (PMDB - SE) - aliado de Sarney - a atitude da oposição é "uma demonstração da incapacidade (...) eles não sabem ver suas teses derrotadas".
Direto da tribuna, o senador Eduardo Suplicy (PT - SP) como forma de demonstrar o seu descontentamento com a permanência de Sarney, dirigiu um cartão vermelho ao presidente do senado.






A atitude de Suplicy, muito provavelmente, não surtirá o menor efeito, já que Sarney é o dono da bola e está se lixando para as regras do jogo nesse grande futebol de várzea que é o senado brasileiro.


Por: Mário Brandes

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O que se espera da juventude?



Há uma dúvida em meio a avanços tecnológicos e decorrer de tempo histórico. A respeito de algum conceito ou teoria, sobre mundo político-social, que os jovens possuem hoje em dia. Não existe viva alma que saiba. Está cada vez mais difícil de descobrir.
Estamos no mês em que se comemoram os quarenta anos do mais importante festival de música, simplesmente algo histórico, três dias, meio milhão de jovens refletindo sobre o mundo político, econômico, “social”; questionando, conversando e... bem outras coisas a mais.
Sabe-se que esse povo todo ficou esses três dias acampados, sem banho ou não, comendo ou não, sem água ou não. A multidão estava ali. Foi revolucionário e surpreendente até hoje. Eles estavam todos movidos por uma sede de mudança e de revolução, desejando o incomum: o World Best.
Existia toda perspectiva violenta possível no mundo na época, enquanto o Brasil estava em tempos de ditadura, os EUA e Vietnã se encontravam em guerra. Motivos suficientes para despertar o sentimento de protesto, em várias pessoas de todo o planeta que reuniram-se em uma fazenda no interior de NY. Entre eles, outro mundo, outra energia, paz, amor, harmonia, ideias novas e música, muita música. Era o clima de Woodstock.
Podem me questionar se era nascida naquele tempo para saber se foi assim. Claro que não. Não sei como foi. Vi reportagens e pesquisei na internet, vi fotos. Imagens me transmitiram a sensação e o espírito de esperança daquele horror de gente. Todo mundo sabe que eles não conseguiram mudar nada. O mundo harmonioso que a geração sessentona sonhou nunca existiu. Lastimável e realista conclusão.
Contudo, percebe-se neles o que não há a muito tempo: jovens inconformados. Não há jovens que questionem a desigualdade social, as injustiças, direitos como cidadãos com sede de mudança.
Não existem adolescentes que assistam ao Jornal Nacional, que leiam jornal, demonstrem interesses pelo mundo. A alienação intelectual não é o que se espera de uma juventude.
Mas a de hoje é alienada porque é mais fácil optar que a política seja chata. Ter em mente que a minha geração não vai mudar o mundo, a geração dos meus pais tentou e não conseguiu. A única coisa que fizeram foi dar impeachment em um presidente corrupto nos anos 80. É muito mais habitual escutar funk’s com letras idiotas (irracionais), e sertanejos gritantes ensurdecedores de péssimas rimas, que preferir ritmos transmissores de bom conteúdo cantados por artistas de sonora qualidade, digo qua-li-da-de.
Ninguém mais quer mudar nada, está tudo bem. Para que reivindicar? A alienação não trás levantamentos, nem ao menos inquietações, ela é cômoda. É o Orkut, MSN, Twitter, e o que mais inventarem quem move os jovens, a revolução é virtual, o domínio é eletrônico.
É intransigente tentar um diálogo com quem é afastado por própria vontade do mundo real. Como mencionar -transformação social- com alguém que tem por hábito de leitura e escrita o seu e o perfil dos amigos da internet. Poderiam ler um livro, um jornal, para desencantar o costume de leitura, sabedoria não ocupa espaço.
A essa aceitação, me vejo contrária a essa conformidade. É muito difícil criticar as atitudes dos jovens sendo um deles. Quem sabe eu tenha nascido no tempo errado.

Por: Daíse Carvalho

sábado, 22 de agosto de 2009

Por que ler afinal?

Muito se fala, e não é de hoje, sobre a importância da leitura. Na faculdade de Letras que curso, um assunto sempre abordado é a formação de leitores.
Bate-se muito na tecla de que o jovem de hoje não gosta de ler, o que é uma verdade, entretanto, acredito que a maneira com que muitas vezes se tenta fazer com que esta pessoa se torne um leitor é ineficaz.
Fazer com que um guri de 14 anos engula Machado de Assis à força é algo cotidiano no ambiente escolar. Mas, se a leitura dos clássicos - daqueles que representam as letras brasileiras - não despertam interesse, o que despertaria?
O erro se encontra justamente na leitura obrigatória, que é realizada a contragosto para tirar a média em uma prova. Outro problema é que às vezes quem tenta formar um leitor, também não é um leitor de fato, assumindo em sala de aula um personagem que fala um texto que decorou durante toda sua graduação e que representará até a aposentadoria.
"Quem sabe ler, sabe tudo", "quem não lê é servo de quem lê", "ler também é um exercício", todas essas máximas são verdadeiras, porém o que nunca é dito é que quem lê, lê porque é divertido. A lembrança mais remota que tenho do meu saudoso pai é de o ver lendo gibi e rindo sinceramente, prazerosamente. Isso fez com que eu também quisesse ler, afinal, eu também queria entender o que aquelas letras amontoadas tinham de mágico para tornar pequenos momentos tão alegres.
Quer formar um leitor? Siga a receita:
Torne-se um primeiramente, mas torne-se sinceramente, não faço da leitura uma obrigação. Leitura é acima de tudo diversão. Apenas isso. Não diga que ler é bom, mostre que ler é bom.


Por: Mário Brandes