domingo, 10 de outubro de 2010

Quando somos insetos.


"Certa manhã, após um sono conturbado, Gregor Samsa acordou e viu-se em sua cama transformado num inseto monstruoso."
Com esta frase, o escritor Franz Kafka, inicia sua famosa obra A Metamorfose que comecei a ler hoje. O protagonista do enredo, que se transforma em um inseto gigante acaba sendo visto pela própria família com sentimentos de medo, nojo e até mesmo um certo ódio devido à sua aparência monstruosa. Semana passada, no programa A Liga, da Band, foi feita uma matéria em que dois homens - um de boa aparência e outro aparentando grande pobreza - diziam ter perdido a carteira e então pediam dinheiro para a passagem de ônibus. O homem de boa aparência facilmente conseguia atenção e arrecadou cerca de 30 reais em um curto espaço de tempo, enquanto o outro no mesmo período não conseguiu sequer 5 reais e não conseguia sequer que o escutassem com atenção, era tratado com indiferença, por vezes até com repulsa - de modo semelhante como foi tratado o personagem protagonista de A Metamorfose.
Já ouvi e já li que o século XXI é o século das aparências, da ostentação, do fashion, logo, acrescento: do vazio. A excessiva glamourização do ter e a sobreposição da aparência sobre a essência faz com que sejamos insetos - tais quais Gregor Samsa - disfarçados de deuses do olimpo da moda, vivendo em um eterno e carnavalesco baile de máscaras. Mas, de dia, no fim deste baile, quando as máscaras já não tiverem uso, e todo mundo perceber que todos são insetos, o que restará?

Por: Mário Brandes
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sábado, 9 de outubro de 2010

Comentários a respeito de John


Se não tivesse sido assassinado a tiros pelo atormentado fã Mark Chapman na frente do Edifício Dakota em 1980, John Lennon estaria completando hoje 70 anos de idade. Liverpool e o mundo hoje prestam homenagem a um dos mais importantes - se não o mais importante - heróis da história do rock'n'roll e sem dúvida uma das personalidades mais significativas do século passado.
Amor, dor, rebeldia, ativismo político ou apenas celebração e diversão, tudo isso é possível encontrar na discografia do ex-Beatle.
Eu tinha pensado em iniciar este post citando Belchior: "não quero lhe falar, meu grande amor, das coisas que aprendi nos discos". Para então apenas sugerir que a obra de Lennon fosse escutada, mas é impossível não dizer nada sobre o impacto que Lennon e os Beatles tiveram sobre mim. Aprendi com estas canções coisas tão importantes quanto as que aprendi na faculdade ou lendo clássicos da literatura. A cada verso, a cada acorde, Lennon entregava-se à vida e à música, dando a cara a tapa, cantando suas desgraças, alegrias e ideologias, sem medo de que o achassem ingênuo ou pretensioso. Ele não tinha medo de ser o que era e essa é a sua principal, e implícita, lição. Não tenhamos medo de ser o que somos. Temos de nos entregar, não nos limitar, temos de chorar, gritar, amar, viver e morrer a cada dia de acordo com a nossa verdade. Resume-se isso com uma frase de Lennon:
"Se os Beatles ou os anos 60 tinham uma mensagem era 'aprenda a nadar. Uma vez que você aprendeu, nade!'."

Clique aqui para assistir o clipe de Stand by me de John Lennon.

Clique aqui para ouvir o programa de rádio online Garagem especial John Lennon

Por: Mário Brandes

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quando a tolerância ofende


O homem é um ser social. Não é preciso sacar nada de sociologia - nem mesmo ler a orelha de uma obra do Durkheim para ganhar ares intelectuais - para fazer uma afirmação como essa. Até mesmo a mente mais pretensiosa há de concordar que o ser humano é incapaz de viver isoladamente. Ele necessita da presença do outro, da aprovação - ainda que minta para si mesmo que não - do outro. Ora, se é então algo tão essencial, tão inerente à condição humana, por que a convivência é algo tão difícil?
Somos todos indivíduos egoístas, em maior ou menor grau, e somos, também, essencialmente diferentes. Ok, nada de novidades até aí. Com base nisso, uma boa convivência está atrelada ao exercício da tolerância, afinal, se somos mesmo todos diferentes, paciência, respeitemos tais disparidades, mesmo que algumas nos incomodem. Minúsculos sacrifícios individuais seriam o preço por uma vida mais leve. Entretanto, não é isso o que ocorre, esses pequenos sacrifícios são extremamente incomodativos a determinadas pessoas. Ó o egoísmo deixando o mundo um porre aí gente!!!
Exemplificando com fatos: Liu Xiaobo, ganhador do prêmio Nobel da Paz deste ano, está preso por se opor ao regime ditatorial chinês. O PSDB que tinha em pauta uma lei para criminalizar atividades consideradas homofóbicas, deixou essa ideia para trás com medo de perder seu eleitorado evangélico - que, por sinal, saiu do armário na defesa da homofobia!
Afinal, por que as diferenças alheias nos incomodam tanto? Não sei. E, sinceramente, espero um dia nem me importar mais com isso.


Por: Mário Brandes
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Literariedade Twiteira


O escritor e cronista do jornal Correio do Povo Juremir Machado escreveu em um de seus recentes textos no citado periódico uma frase que deixou-me fascinado: "O que salva a literatura brasileira hoje é o Twitter."
Consolidada mundialmente como uma das redes sociais mais utilizadas na atualidade, este microblog impõe a seus usuário um limite de 140 caracteres para a expressão de ideias, opiniões ou até mesmo para comentários desnecessários. É uma expressão rápida, direta, concisa, assim como o século das informações em que vivemos onde notícias tornam-se antigas em poucas horas devido à velocidade com que são veiculadas massivamente pela internet - principalmente - e pelos outros meios de comunicação tradicionais.
José Saramago, o revolucionário último cânone da literatura em língua portuguesa morreu este ano. Quem é o cânone da literatura mundial atual? Fenômenos teens como Crepúsculo ou a saga Harry Potter faturam milhões de dólares, mas não há qualidade que se espera de uma devida obra literária. Os cânones estão todos mortos e enterrados. Na pós-modernidade nada é novo, nenhum autor está representando esta época. E isto porque a época que vivemos é rápida, não há tempo para detalhes. O twitter é uma fábrica virtual de possíveis haicais. Não que os clássicos da literatura sejam ruins, pelo contrário, são clássicos. Entretanto já não nos representam.
O twitter representa o mundo urgente e emergente, pois, infelizmente, vivemos presos em uma vida de 140 caracteres.

Por: Mário Brandes
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

2º turno já!


Não sou jornalista, sou um blogueiro irresponsável, logo, não preciso me comprometer com a "lei da imparcialidade" tão almejada pelo jornalismo, porém nem sempre conquistada. Não é segredo para ninguém que tenho como candidata à presidência da república Marina Silva. Logo, já justifico minha parcialidade neste post.
Entretanto, o assunto principal desse texto é a importância de que haja um segundo turno nestas eleições. Mesmo que não seja a Marina a presidenciável presente nesta segunda fase eleitoral, esta etapa é fundamental para o exercício de uma atividade de fato democrática.
As pesquisas divulgadas nos meios de comunicação de massa influenciam violentamente eleitores indecisos e até mesmo os desinteressados que veem na obrigatoriedade da eleição uma espécie de esporte competitivo, não raro escuto frases do tipo: "vou votar em fulano porque ele está em primeiro lugar nas pesquisas, não gosto de votar em quem perde". (Ok, parabéns pela sua falta de personalidade!).
Mesmo que a presidenciável Dilma Roussef tenha os 51 pontos percentuais necessários para uma eleição em 1º turno, no caso de eliminações que a deixem com um único concorrente, esta "superioridade" poderá sumir. Sendo então um embate igualitário.
Votemos em quem realmente acreditamos, não deixem que os meios de radiodifusão nos imponham o que devemos fazer, em quem devemos crer. Vamos ser honestos conosco e escolher para o país um administrador que faça com que sintamos orgulho do Brasil em outras áreas que não seja futebol.

Por: Mário Brandes
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Surpresa furada


Ontem a matéria de capa do jornal Correio do Povo anunciava: Eleitor admite ser alvo de compra de votos. A matéria tinha de tudo para ser impactante não fosse a real situação em que vivemos. Duvido que alguém tenha de fato se surpreendido com essa afirmação. Afinal de contas, o nível destas eleições baixou tanto que não existem mais propostas de governo, plataformas ou até mesmo promessas furadas. Há apenas e ataques a adversários. Como se o fato de um ser corrupto provasse a competência de seu oponente.
Gosto de política, tento não me desiludir, mas está difícil.
O Brasil é um país onde a cada dia fica mais difícil ser idealista.

Por: Mário Brandes

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Olho por olho e o mundo acabará cego


Em 11 de setembro de 2001 eu era um guri de 11 anos cursando a 6ª série do Ensino Fundamental. Lembro que, por faltar professor, nesse dia a aula terminou mais cedo e em torno das 10h30min ou 11h00 eu cheguei em casa com a intenção de aproveitar esse tempo de sobre olhando desenho. Mas eis que quando ligo a televisão vejo aviões colidirem com o World Trade Center e uma tremenda confusão da qual não entendi nada.
Hoje, 9 anos depois, fico ainda mais confuso ao conhecer a história do reverendo Terry Jones do Dove World Outreach Center, de Gainesville, Flórida, que pretende no próximo sábado - aniversário do mais famoso atentado do século XXI - queimar alcorões como forma de "advertência" aos muçulmanos.
Esta atitude fez com que o governo americano chamasse de idiota o reverendo Jones e fez com que eu pela primeira vez concordasse totalmente com o governo americano. Se o reverendo por suas intenções em prática não há dúvida de que os soldados americanos que ainda estão no Iraque sofrerão as consequências e, por conseguinte, em uma resposta dos EUA eclodirá uma nova guerra.
Ghandi nunca esteve tão certo: "olho por olho e o mundo terminará cego."

Por: Mário Brandes
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