segunda-feira, 13 de julho de 2009

Hoje ainda é dia de Rock!



O Efemero & Irônico não poderia deixar passar em branco o dia mundial do rock, sem um post que fosse!
Considerado por amantes do gênero como um segundo aniversário, o dia 13 de julho comemora mundialmente a batida responsável pela maior revolução comportamental do século passado e, que embora tenho sofrido algumas modificações, perdura até hoje.
Filho da música country dos brancos com os lamentos dos blues entoados pelos escravos dos Estados Unidos, o rock surge como uma resposta à uma sociedade conservadora fundada em preceitos arcaicos e hipócritas.
O rock é sinônimo de atitude, uma postura de pensamento e comportamento de ir contra o estabelecido ou apenas a mais simples, pura e sincera diversão.
Desde a década de 1950 o rock se divide em subgêneros, em que garotos armados com suas guitarras se identificam e mudam seu mundo e suas vidas em poucos acordes.
O rock é música hormonal, juvenil, orgânica. A distorção da guitarra se confunde com a explosão de hormônios dos jovens (jovens às vezes sessentões como Mick Jagger e cia.), logo - os "bons costumes" que me perdoem - enquanto houver juventude, sonhos e uma guitarra, haverá rock'n'roll.
Let's rock!


Por: Mário Brandes

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Acreditem: elas não aprendem!


As crianças não estudam mais. Também, hoje, elas não vêem necessidade alguma em fazer isso. Por que não tem!
Acontece que do jeito que vão as coisas na escola, digo em sala de aula, meninos e meninas têm a preocupação com tudo, tudo que envolva qualquer parte do todo, e que não diga respeito a estudar, o colégio torna-se cada vez mais azucrinante, acordar cedo e ir pra aula é um sacrilégio.
As aulas viraram monotonia, o recreio é tão esperado por ser o alívio da chatice das aulas, as provas agora são difíceis para quem não tem facilidade para decorar. A decoreba tornou-se o método de ensino mais eficaz encontrado pelos mestres. Claro a criança decora para o dia da prova no outro dia já esquece, não sabe nada de nada e respondeu alguma coisa desse nada na prova, tirou uma nota de nada. E essa nota vai valer absolutamente nada futuramente. Efemeridade nada boa.
As coisas mudaram só o que não mudou foi o conteúdo do programa. São sempre as mesmas matérias, ensinadas sempre do mesmo jeito, sem nenhuma contextualização ou abordagem diferente. A criatividade dos professores está reduzida a quase zero. Pode ser devido a problemas de remuneração que abala ultimamente o estado, convenhamos isso não justifica, apenas aponta um motivo.
Que culpa as crianças tem disso?
Funciona quase como uma cadeia: para jogar vídeo game ficar no computador e jogar bola, as crianças precisam tirar boas notas, para boas notas deve-se decorar todo o conteúdo da prova, para decorar tem que copiar tudo no caderno, e para copiar é preciso ser rápido, ser rápido é garantia de ir embora mais cedo.
Então o Joãozinho copia tudo, decora tudo, e como bom filho, bom aluno, bom resultado da técnica da decoreba, tira dez na prova. Leu, copiou, decorou, memorizou, mas não aprendeu, não entendeu. Satisfeito. Moral da história: o dez que o pai queria está ali, a aprovação do filhinho da mamãe é concreta, e a tarefa da professora concluída, que final infeliz!
A escola é importante, é a formação da personalidade de tantas crianças. A qualidade no ensino, na educação, é uma das saídas para solucionar os problemas sociais, falo em nível de país.
Pergunte a uma criança o que é inflação, para que serve um senador, o que são as capitanias hereditárias, e se entendem sobre corrupção. Melhor não perguntar, mas pode-se muito bem ensinar esses desprovidos de sabedoria e falo consciente que a culpa dessa carência cultural está muito longe de ser deles.
Quanto tempo vai demorar para abrirmos os olhos, perceber que caso o sistema continue acomodando as crianças em não estudar, vai conseguir criar uma geração de revoltados.



Por: Daíse Carvalho

terça-feira, 7 de julho de 2009

Da nudez das palavras


Ainda não inventaram roupa capaz de cobrir a nudez a qual nossas palavras nos expõem. Como um instinto de defesa que se sobrepõe à razão, evitamos e ao mesmo tempo procuramos desesperadamente as palavras. As palavras nos revelam, mesmo que não percebamos no momento, cada palavra corta um pedaço nosso e solta-nos nus em uma praça pública qualquer.
Por vezes recuamos das palavras, agarramo-nos a superficialidades e futilidades, não por sermos de fato fúteis e superficiais, mas por puro medo de que nos descubram, de que confirmem o óbvio de que somos extremamente diferentes e de que assim sejamos excluídos e sós.
No entanto é gigantesca a necessidade e a busca por essas palavras - se fugimos das palavras por medo ou vergonha dos outros, as buscamos incansavelmente para por pra fora tudo que nos sufoca, sendo isso bom ou ruim.
Em entrevista, a cantora Pitty disse que na adolescência possuía um diário no qual escrevia em um dialeto próprio - belo exemplo de medo e necessidade de escrever.
Escrever é quase tão necessário quanto respirar, é uma necessidade de sentir-se vivo, de aliviar-se.
Pronto, estou mais leve agora.


Por: Mário Brandes

sábado, 4 de julho de 2009

No doce jardim de Tiê


Em contrapartida com as cantoras brasileiras do início da década - que tinham como forte característica uma certa masculinização, com suas vozes graves e roucas - vem surgindo novos artistas já chamados pela imprensa de "nova MPB" em que as cantoras voltam a apresentar uma feminilidade até então perdida (o que não é uma perda de qualidade, não imagine que falo de dondocas tipo Sandy).
Em meio a este cenário surge Tiê, guria com nome e voz de passarinho, lançando seu disco Sweet Jardim - que conta com a participação de ninguém menos do que Toquinho - que mostra suas belas composições simplistas, de forte apelo folk, um violãozinho aqui, um pianinho acolá, mas muita verdade e sentimento em cada uma das canções, das dez que compõem o álbum.
Como muito me agrada compartilhar descobertas musicais e não sou hipócrita a ponto de levantar a bandeira antidownload, já que baixo álbuns direto, disponibilizo aqui no blog o disco da Tiê.

2009 - Sweet Jardim - Tiê

  1. Assinado Eu
  2. Dois
  3. Quinto Andar
  4. Passarinho
  5. Aula de Francês
  6. Chá Verde
  7. Te Valorizo
  8. Stranger But Mine
  9. A Bailarina e o Astronauta
  10. Sweet Jardim

DOWNLOAD

Por: Mário Brandes

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Máquina versus Homem


O que não inventam? Com certeza você já escutou essa pergunta. Concorde ou não, a tecnologia é uma constante ascendência que nos cerca. E faz ela muito bem. Trouxe tantas facilidades e confortos, que nos fazem dependentes. As crianças já nascem sem paciência, tudo deve ser breve, afinal, o tempo voa.
As vantagens mecânicas, elétricas e também manuais, as quais podemos usufruir hoje, deveriam nos tornar pessoas mais tranquilas. Mas, a bem da verdade, isso não acontece.
Mencionei às crianças, explico. Tenho um sobrinho, e ele é a alegria do lar, como qualquer criança que se possa conviver antes dos oito anos de idade, salvo exceções. Tenho também em casa um eletrodoméstico de utilidade imprescindível: rápido, eficaz e prático. Realmente o micro-ondas é uma admirável invenção, e também é uma alegria na casa, só que apenas na cozinha.
Mas o guri não suporta o barulhinho do aparelho, não aguenta ver a luz acesa. Plena hora do café, e eis que o pequeno projeto de gente, surpreendeu-me quando por extinto, tomou nas mãos uma colher, digo a você, simples, o talher tem cabo azul e parte metálica como tantas colheres que a gente ocupa. Impaciente e bruto dirigiu-se até a frente do aparelho elétrico de uso caseiro, sem escrúpulos, e espancava a inofensiva caixa branca com luz amarela no interior, batia com força e estava gostando.
Eu nada falei e fiz, por segundos me encontrei estática observando a primeira surra que o pequeno dava. Percebo agora que naquele momento caí em mim, o sobrinho me explanava como num futuro não tão longe, homem e máquinas irão se relacionar. Decidi livrar o aparelho de tamanha humilhação, ora todo mundo merece respeito e reconhecimento. Veja bem, quem que em tempo recorde esquenta água para o café, por exemplo, que nesse frio, rapidamente, descongela carnes que estão sólidas feito pedras?
Penso, logo tirei o menino dali. Expliquei que por mais que a gente sinta muuuuita vontade de bater em algo ou alguém, é sempre bom manter o controle e sensatez. Em palavras claras, instantâneas e acima de tudo pacientes, disse: Se bater ali de novo, não vai ganhar mama! Ele parou no mesmo instante.
Sempre procuro entender todos os problemas e encontrar jeitos para resolvê-los. Parti com ideia de estar com dois anos de idade. Visualizei-me sentindo bastante fome, minha mamadeira sendo preparada diante de mim, e antes que eu saboreasse quem tirava uma provinha era aquela caixa branca com luz amarela dentro, minha janta, o aparelho abocanhara antes, bem como um adorável iogurte, sempre antes de mim - ele-, e assim via todos meus alimentos. Só eram liberados para mim após três buzininhas ridículas.
Antes de dar início a minha agressão contra o micro-ondas, escutei as três buzininhas.

Agora, desculpe, com sua licença o café está pronto!
Obs: a foto é do sobrinho!
Por: Daíse Carvalho

Impondo democracia


Na coluna civitas de hoje (3 de julho) do jornal Folha de Itaqui o delegado Rafael Brodbeck escreveu um artigo intitulado "Quem é o golpista?" em que argumentava que o afastamento do presidente Zelaya de Honduras teria sido, não um golpe de estado, mas uma resposta prática à uma tentativa de violação da Constituição do país, de ferir a democracia - visto que Zelaya foi afastado por propor um plebiscito sobre a introdução da reeleição no país e é artigo pétreo na Constituição hondurenha a proibição de reeleição, bem como de plebiscitos.
Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. realmente o cara foi bater de cara contra a Constituição, que normatiza deveres e direitos de todos os cidadãos. Porém, o conceito de democracia, até onde sei é o de "governo de todos". Sendo assim, um plebiscito poderia ferir a Constituição quanto documento a ser seguido, mas ao ser uma decisão de maioria, torna-se impossível dizer que este seria antidemocrático. E as manifestações populares contra os militares que depuseram o presidente eleito mostram claramente - só não vê quem não quer - que não é vontade de todos, ou da maioria, a permanência de Michelletti e dos milicos no poder. A partir disso conclui-se (sem muito esforço, diga-se de passagem) que os militares não estão defendendo nenhum direito democrático pelo fato de afastar alguém que sugeriu algo proibido pela Constituição. Pode ser qualquer coisa, mas democracia não é.


Por: Mário Brandes

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Governinho Demodé


A aproximação do governo de Honduras - regido então por Manuel Zelaya - com a esquerda e as alianças feitas com Hugo Chávez não agradou muito as elites conservadoras do país, que neste domingo tomou o poder através de um golpe de estado. Os milicos expulsaram Zelaya do Palácio Presidencial pouco antes de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que introduziria no país a reeleição. O cargo vago ficou ocupado então por Roberto Michelletti que diz que o que ocorreu não foi um golpe de estado (e alguém se convenceu?). Em primeiro momento, Zelaya, muito machinho, disse que voltaria ao poder por meio da força (e com a companhia dos presidentes da Venezuela e da Argentina). Nesta quarta-feira a Organização dos Estados Americanos (OEA) deu um ultimato à Michelletti, dando um prazo de 72 horas para que o presidente deposto volte ao poder. Ainda hoje o Congresso de Honduras aprovou uma restrição parcial dos direitos constitucionais - durante um prazo também de 72 horas - o que implica na autorização de prisão à pessoas por mais de 1 dia e na suspensão das liberdades de reunião e associação e também no direito de ir e vir do cidadão (tudo isso proposto pelo carinha aquele que nega que esteja fazendo um golpe de estado, ah tá). Golpe de estado? Milicos no poder? Comunistas comendo criancinhas? Parafraseando minha madrinha: 'Que coisa mais fora de moda! Mas do tempo!'
Pois é, seguindo essa linha em breve tá todo mundo usando ombreiras (sugestão da Lauren para um flashback tosco) em Honduras.

Por: Mário Brandes.